sábado, 3 de outubro de 2009

A HISTÓRIA DETURPADA

De repente chega o momento em que ler ou ouvir certos chavões começa a ofender a nossa inteligência, a causarem asco, uma intoxicação alérgica em nossas mentes que nos obriga a gritar:
— Basta!
A belíssima reportagem, "Quarenta anos de poeira e lama", feita por Thomaz Favaro no caderno especial da Veja de setembro, denuncia os descalabros da Transamazônica, que está abandonada e necessita urgentemente que as autoridades a coloquem em condições de tráfego, para não prejudicar mais o povo daquela região. Entretanto, o repórter comete um grave erro de incoerência ao recorrer a alguns chavões super manjados: A estrada que liga o "nada a coisa nenhuma" é uma cicatriz na selva e um monumento à cegueira ambiental das gerações passadas.
Todo o texto trata do assunto com a seriedade que lhe é devida e reivindica justas providências de melhorias da referida rodovia, demonstrando como isso irá beneficiar a vida dos sofridos moradores daquela região. E para que não paire desconfianças aos impactos ambientais ele usa bons argumentos como: Não há praticamente oposição ambientalista ao asfaltamento do trecho paraense.
Ora, se a estrada liga o "nada a coisa nenhuma", para que asfalto? Se for uma mera "cicatriz na selva", por que não deixar que a própria selva se encarregue de apagá-la? Se não passa de fruto da "cegueira ambiental de gerações passadas" não seria mais correto reivindicar o seu reflorestamento?
Outros clichês como estes já não estão dando mais para suportar, porque quem possui um mínimo de inteligência e conhecimento da história real não pode admitir que se tache de "anos de chumbo" a um tempo em que podíamos andar livremente pelas ruas, de dia ou de madrugada e sem medo, desde que não fossemos militantes de nenhum grupo ideológico de esquerda. É de um surrealismo incrível que depois de vinte sete anos de decadência do setor produtivo e da qualidade de vida dos brasileiros, fatos que levaram ao total descontrole social, no país mais violento do mundo, ainda se ouve dizer que aqueles é que eram "tempos obscuros".
Não que eu seja a favor de ditaduras, apenas não posso concordar que profissionais das empresas de mídia, muitas delas altamente favorecidas pelo governo militar, critiquem sistematicamente aquele período da história brasileira, ainda que lhe sobejasse defeitos, como se o caos social dos tempos atuais fosse uma grande e gloriosa conquista.
Para exemplificar vou contar uma fábula, que até pode pecar pela criatividade, mas foi a única forma que encontrei para tentar, em poucas palavras, desfazer essa deturpação da história recente do país:

Numa populosa cidade de um longínquo mundo encantado havia um bruxo que tinha grande sede de poder. Ele vivia planejando os meios que utilizaria para conquistar o poder e governar aquele povo. Até que um dia, andando pela floresta, ele descobriu uma colônia de ratos vermelhos e teve a idéia de usá-los para dominar aquele reino.
Imediatamente ele aprisionou os animaizinhos e fez com que passassem por um portal que os transformava em seres humanos, perfeitamente subjugados às suas ordens. Em pouco tempo a cidade estava repleta daqueles indivíduos metamorfoseados em pessoas muito interessantes. Eram idealistas e sempre dispostos a lutarem pela causa das desigualdades sociais.
As notícias chegaram ao conhecimento do rei e também o fato de que, para conseguirem os seus intentos, os mutantes vermelhos iriam promover um terror jamais visto por aquelas terras, com torturas hediondas e o assassinato de grande parte da população. E que, depois de assumir o poder, o novo governo do mago tenebroso iria instituir um estado totalitário, proibindo a livre iniciativa, toda liberdade de expressão, os direitos à propriedade privada e os direitos de ir e vir dos cidadãos.
Preocupado, o rei reuniu os sábios da corte, os quais descobriram a trama do bruxo e que seus revolucionários eram os ratos vermelhos que viviam na floresta. Então, decidiram apelar para as cobras, inimigas naturais daqueles roedores. Assim, um exército de ofídios peçonhentos foi também transformado em gente e colocado na cidade.
Por vinte anos as víboras estiveram por lá caçando os ratinhos vermelhos, seus amigos e qualquer um que lhes mostrasse simpatia. Arrogantes, ninguém podia contrariar as serpentes, que implantaram sim um regime arbitrário para o rei, porém infinitamente mais brando do que aquela ditadura pavorosa que estava nos planos dos vermelhinhos. Todavia, aquele reinado prosperou enormemente até que o número de ratos ficou tão escasso que as cobras acabaram abandonando aquelas terras, por conta própria.
Tanto o rei quanto o bruxo morreram naturalmente, mas este último havia deixado o portal funcionando. Então alguns ratos urbanos, descobrindo o artefato mágico, passaram por ele, se transformaram em gente e saíram alardeando aos quatro ventos que tinham expulsado as serpentes e por isso estavam assumindo o governo.
Alguns ratos vermelhos que andavam escondidos reapareceram e cruzaram com os parentes que vieram dos subterrâneos da cidade. Da miscigenação das espécies surgiram uns tipos de ratos de esgoto medonhos que tomaram conta do poder. Eles não tinham os ideais dos ratinhos vermelhos nem a capacidade das cobras em promover o desenvolvimento, mas um poder incrível de enganar o povo e uma sede insaciável pelo poder e pela corrupção. Detonaram a economia produtiva e a renda dos trabalhadores daquele reino, desencadeando num desemprego monstruoso e gerando uma nação de bandidos dentro de sua própria nação.
O resto da história vocês já conhecem…

Não estou, de maneira alguma, querendo dizer que deveríamos voltar a uma ditadura militar, mesmo porque as estúpidas bases estruturais tributárias, que são as responsáveis pela miséria de nosso país, surgiram naquele governo e, ao invés de serem banidas posteriormente, elas foram enormemente potencializadas pelos sucessores.
O que eu me recuso definitivamente é, como diria Ruy Barbosa, glorificar eternamente o triunfo das nulidades. Nulidades que ocupam o sistema político atual e promovem a degradação do país. Nulidades cujo caráter maquiavélico, macula os conceitos de honra; corruptas e por serem praticantes de uma política desonesta, não se lhes pode conceder o direito de deturparem a história e amaldiçoarem o passado, por pior que este tenha sido.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

CRIMINALIDADE: Problema social ou de segurança?

Toda vez que nos deparamos com uma grande expressão matemática, devemos primeiramente simplificá-la, reduzindo os termos, para somente depois visualizarmos a solução. O mesmo artifício pode ser utilizado para se conseguir entender os problemas da sociedade humana.
Em se tratando da criminalidade brasileira que, há muito tempo, extrapolou os limites da tolerância, não poderia ser diferente. Se eliminarmos todos os motivos secundários, que apesar de importantes não pertencem às origens do problema, sobrarão dois grandes fatores relevantes: a questão social e a da segurança pública.
Todos os assuntos da segurança que envolvem o poder judiciário, o sistema prisional e as polícias são de suma importância para o combate aos crimes, porém não podem ser considerados causas. Assim sendo, até as responsabilidades destas instituições não deveriam ser tão amplas como lhes são atribuídas, elas terminam onde começam as do fator social que é, efetivamente, a causa primária do problema da criminalidade brasileira. Aliás, como eu já disse anteriormente: –– estamos vivendo o descontrole social.
Comentei, no artigo anterior, que a forma da tributação brasileira vampiriza a economia, impedindo que o salário do trabalhador seja duas vezes e meia maior do que deveria e, consequentemente, toda a economia produtiva acompanha, proporcionalmente, essa escassez da renda popular. Cada real desviado, para suprir as contas da gastança do governo, deixa de circular no mercado de consumo, em prejuízo de todo setor produtivo. Isto inclui o achaque da CPMF ou outros descalabros tributários disfarçados, que insistem em ressuscitar.
Não há exagero quando digo que o Brasil vive o descontrole social porque, além de o governo não ser capaz de enxergar o estrago que faz, a população também não consegue vislumbrar ninguém, com um mínimo de competência para mudar a situação, neste caótico panorama político nacional, onde impera o oportunismo, a vaidade, a esperteza e a locupletação ilícita.
Dizer que a índole de cada um é a responsável pelos delitos é absurdo, porque nem todas as pessoas de má índole cometem crimes e nem todo crime é cometido por elas. Por exemplo, quem nunca viu empresários possuidores da pior espécie de caráter sendo figuras respeitadíssimas e bajuladas na sociedade? Conheci um dono de indústria que prejudicava qualquer cidadão do qual pudesse obter alguma vantagem, a fim de continuar levando em frente sua empresa concordatária. Ninguém escapava dos seus trambiques e falcatruas. Dos empregados contratados, prestadores de serviço autônomos e fornecedores, aos postos de combustíveis, supermercados e mercearias. Dessa forma, lesando quem lhe cruzasse o caminho, o sujeitinho conseguiu se livrar da falência, tornando-se um rico e respeitado empresário. Depois ele colocou, na frente de sua empresa, um outdoor colossal com os dizeres: "Deus é fiel".
Fazendo uma comparação entre as organizações criminosas e o poder político brasileiro, nós teremos o melhor exemplo de que pessoas com o mesmo tipo de má índole, mas em meios sociais opostos, podem ocupar tanto a marginalidade como os mais altos cargos da sociedade. Basta ver a última decisão do senado sobre o caso Sarney, os elementos da indecorosa tropa de choque e como essa instituição consegue dar o nome de "comissão de ética" a algo que, vergonhosamente, transformou tudo numa grande "pizza". Aliás, como "bons pizzaiolos", lembrando a designação feita pelo próprio presidente Lula em sua, nada sutil, recomendação aos senadores.
Pelo menos entre eles houve coerência e ética, pois não poderiam condenar apenas um senador, pelo crime que todos os congressistas cometem. Arthur Virgílio que o diga…
Indivíduos com boa ou má índole constam igualmente das populações de todas as nações. A Noruega não foge a esta regra, entretanto é um país que praticamente não possui problemas sociais relevantes. Exatamente por isso, apesar de não estar totalmente livre dos diversos tipos de crimes, os seus baixos níveis são invejáveis. Em 2006, por exemplo, foram registrados 45 homicídios, que são responsáveis por apenas 0,1% do total das mortes naquele ano [Fonte: Statistisk sentralbyrå (Instituto Nacional de Estatística)].
Segundo a OMS, o Brasil tem uma população que representa 3% da população mundial, mas é responsável por 13% dos homicídios ocorridos em todo mundo. É o campeão mundial em assassinatos, ocorre um a cada 12 minutos.
Mas criminalidade não se limita apenas aos homicídios. Quando consideramos os outros crimes, dos mais simples, como os assaltos nas esquinas, aos mais hediondos, como os seqüestros com torturas, cometidos a todo instante, então os números chegam às estrelas. Por aqui é muito comum notícias de estabelecimentos comerciais que já foram assaltados dezenas de vezes, a mesma pessoa que teve seus automóveis roubados por mais de uma vez, falsos seqüestros realizados por bandidos com celulares de dentro dos presídios e uma gama infindável de modalidades criminosas à nossa disposição.
A maioria dos crimes cometidos por dois ou mais marginais sempre tem, pelo menos, um elemento que é fugitivo de alguma penitenciaria.
Toda vez que alguém me diz que o problema da criminalidade no Brasil não é social eu comparo com a Noruega. Mas isso não quer dizer, em absoluto, que a solução deva estar em medidas sociais ingênuas, como a de aumentar os vales esmolas ou proporcionar uma ocupação artística de quinta categoria às crianças e adolescentes pobres.
Foi o governo quem gerou a pobreza, a miséria e a falta de oportunidades de um trabalho digno, fatores que produziram a imensa sociedade marginal brasileira, deixando os seus bandidos à solta pelo país. Enquanto aguardamos a grande transformação da economia brasileira (sonhar não é proibido), o poder público tem a obrigação, com atitudes enérgicas e sem as costumeiras falácias, de livrar a população dos monstros que criou, cuja maioria não tem mais condições de voltar, impunemente, ao mundo civilizado.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

ATÉ ONDE O POVO ENXERGA

Quando eu digo em meu livro, "A Terceira Era", que os destinos das nações não podem depender das decisões de políticos é porque, no mundo todo, os conceitos de ética e o compromisso que eles têm com a sociedade terminam nos seus interesses pessoais ou dos seus partidos.
Nos países pobres, como o Brasil, a questão é muito mais grave e contundente, porque, além do altíssimo índice de ignorância do povo, nem mesmo os formadores de opinião que estão em evidência na mídia têm mostrado condições de enxergar os nossos problemas na sua essência.

O QUE TODO MUNDO VÊ:
O senador e ex-presidente José Sarney está sendo acusado de ter se beneficiado do dinheiro público, aliás, prática comum a quase todos os congressistas, que hoje atuam como ilibados defensores da moral, mas que amanhã igualmente poderão ser desmascarados. Identicamente ao atual réu, que outrora também já posou de denunciante, com dedo em riste e tudo.
Em todos os países do mundo, dificilmente iremos encontrar um político que não seja hipócrita e oportunista. No entanto, por aqui a situação política está tão putrefata, que há muito já contaminou e fez apodrecer também as esperanças de um povo, que sempre foi ingenuamente otimista.
Aquilo que, antigamente, chamávamos de conchavos políticos, hoje é uma verdadeira ação de quadrilhas, que acabam por se constituir numa grande máfia.
Que toda esta sordidez é uma tremenda vergonha ninguém duvida, mas será que a apropriação indevida do dinheiro público é a real causa do nosso subdesenvolvimento? Antiga essa palavra, não? Hoje, por questão de marketing político, "país subdesenvolvido" foi substituído por "país emergente". E assim conseguimos dormir tranquilos…

O QUE NINGUÉM VÊ:
O Brasil não é emergente nem está em desenvolvimento, pois tais termos pressupõem um país que esteja crescendo mais do que as necessidades básicas de sua população. Observando o crescimento do PIB nos últimos 27 anos e pelos níveis, reais e não os oficiais manipulados, a que chegaram o desemprego e a criminalidade, exatamente por causa da enorme escassez de oportunidades de um trabalho digno, nós só podemos concluir que o Brasil é um "país decadente".
Este sistema tributário imbecil, que enfiou alíquotas de impostos no meio do cálculo dos preços e não nas pontas, foi inventado nos tempos do governo militar, para mascarar a ganância e a incompetência daqueles que não conseguiam gerar receitas com o aumento da produtividade. Numa época em que salários baixos se constituíam no grande atrativo para conquistar as empresas multinacionais.
Hoje tais impostos foram brutalmente aumentados e são os responsáveis diretos pelo descontrole social que está nos destruindo.
Se você não sabe como fazer cálculos de custos, não se preocupe. Peça para qualquer bom contador que lhe oriente sobre a explanação que farei, ou simplesmente confie nas minhas contas, sem se preocupar com a aritmética do texto. (Caso necessite dos detalhes peça-me o estudo da "Reforma Tributária Socioeconômica").
Eu sempre quis saber qual seria a diferença entre o preço de um produto com impostos e se ele fosse isento de qualquer tributação, desde a indústria até o consumidor. Então construí duas planilhas com todos os parâmetros iguais, salvo os impostos, os quais existiam em uma, mas não na outra. Depois comparei os dois casos.
Você deve estar imaginando que os preços tributados ficaram em torno de 40% a 50% mais caros, como anunciam aqueles que fazem as famosas feirinhas de impostos, certo?
Errado! A impressionante diferença oscila em torno dos 150%.
Mas como isto é possível se a carga tributaria anunciada está, realmente, entre 40% e 50%?
A resposta é simples, isto acontece porque os impostos não são cobrados no final, assim sendo, apenas somar as alíquotas não determina o teor da carga. Eles são introduzidos no meio dos cálculos dos preços, como o ICMS cobrado do consumidor pelas companhias de força e luz. Faça as contas e verá que a alíquota é de 25%, entretanto você está pagando 33,33%, por causa do fenômeno da realimentação, no qual o imposto incide sobre ele próprio. Mas isto não para aí, nos produtos industrializados ainda é cobrado o IPI, o qual é calculado em cima destes famigerados cinco impostos, que entram no meio dos preços.
Agora, observando a estrutura dos preços, adivinhe de onde sai o dinheiro para pagar estes tributos escorchantes? Dos salários? Do custo geral restante? Ou do lucro das empresas?
Claro que é dos salários.
Então você deve estar pensando que aquele, mundialmente famoso, palhaço nacional estaria certo quando diz: "nóis sabemo que o pobrema existe, mas a culpa é das elite". Nada disso, este é outro grande engano. Por determinação da competitividade de mercado, toda empresa já mantém os lucros e os custos enxugados ao máximo.
Acredite, por causa disso, hoje os trabalhadores deixam de receber cerca três quintos do que deveriam, isto é, quem teria de estar recebendo R$ 2.500,00 ganha apenas R$ 1000,00. Entretanto, a diferença de R$ 1500,00 não fica nem com o governo nem com as empresas, ela simplesmente se perde pela burrice dos nossos governantes.
Este fenômeno é muito fácil de entender, a quantia que deixa de ir para o trabalhador, a fim de ser repassada para a fatia dos impostos, é exatamente aquela que deveria entrar no mercado de consumo, o qual também está, proporcionalmente, menor em conseqüência do baixo poder aquisitivo da população e que, por isso, provoca acentuada queda de arrecadação e forte sonegação.
Ora, se o trabalhador ganha pouco e o mercado consumidor é medíocre, o que se poderia esperar desse país, senão o encolhimento do parque industrial, um desemprego monstruoso, miséria e todo este descontrole social, que somente os imbecis não enxergam?
Conclusão, atualmente o nosso PIB gira em torno de 2,9 trilhões de reais, mas acontece que, se o povo tem três quintos de sua renda usurpada, evidentemente, ele não pode consumir esta quantia, logo, o produto interno bruto também deveria ser duas vezes e meia maior, ou seja, de 7,25 trilhões. Isto quer dizer que todos os anos somos lesados em 4,35 trilhões de reais, que deixam de circular no mercado consumidor brasileiro, por causa da incompetência dos nossos políticos.
Quando houve a redemocratização do país, nós estávamos no momento de rever todos os conceitos econômicos e entrarmos nos trilhos de um grande desenvolvimento. Mas pelo perfil fisiologista dos que se encontravam à frente daqueles movimentos, para a mudança do regime, já se sabia que boa coisa não se poderia esperar.
E deu no que deu…
O mau caráter dos nossos congressistas é responsável pelo desfalque de alguns bilhões de reais, talvez uns 3 ou 4 anualmente. Isto todo mundo sabe ou, pelo menos desconfia. Também todos exigem, com veemência, a cabeça daqueles que, por descuido de algum de seus lacaios ou pela peçonha de uma ex-mulher, são revelados como larápios.
Por outro lado, eu nunca vi ninguém se incomodar quando o oportunismo e a ganância pelo poder, a incompetência e a mediocridade destes mesmos políticos, incluindo o acusado da vez, são responsáveis pelo aborto anual de mais de 4 trilhões de reais do mercado consumidor interno.
Porque estas coisas, o povo não enxerga.


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

CONSIDERAÇÕES SOBRE "A TERCEIRA ERA"

Desde o surgimento, os seres humanos passaram por duas grandes eras: a pré-história e a história. Sendo que esta última, durante os seus aproximados oito mil anos, caracterizou-se pelas conquistas, beligerantes ou não, do homem contra o homem.
Desde que a espécie humana começou a viver em sociedade, até os dias de hoje, tudo deve ser disputado e conquistado como acontece com os outros animais. Isto porque o homem, igualmente, também é dominado pelos mesmos instintos, os quais estão disfarçados e já que são tidos como inerentes à natureza humana, o fenômeno passa despercebido. Assim sendo, eles foram potencializados pelo desenvolvimento intelectual e tecnológico. Por exemplo: na natureza, nenhum animal cria estratégias tão complexas para assumir o poder sobre seus semelhantes e nem desenvolvem armamentos com grande capacidade de destruição, a fim de mantê-lo. Grandes gênios sempre fizeram parte das ciências bélicas e grandes avanços da tecnologia deve-se às pesquisas e projetos desta área.
Todavia, jamais se levou em conta de que qualquer instinto é sempre irracional e responsável pela forte degradação da humanidade. Foi por este caminho que os humanos se tornaram muito mais agressivos à sua própria espécie do que qualquer outro tipo de animal.
Até mesmo o termo, "vencer na vida", implica em fazer uso do nosso instinto de conquista. Sem dúvida, no lado oposto a toda vitória, fatalmente, encontra-se a derrota. É exatamente neste conceito que podemos observar que se a estrutura da sociedade humana está fundamentada nos instintos animalizados, certamente ela nunca poderá ser justa. Isto é bem claro, pois para que alguns vitoriosos conquistem os poucos espaços privilegiados existentes na nossa organização social, evidentemente, as pessoas que pertencem à enorme maioria terão de amargar a condição de perdedores.
Sim, é exatamente por isso que aqueles que pertencem às classes sociais mais elevadas não dão a mínima importância para os das que lhes são socialmente inferiores: porque julgam que, abaixo deles, estão os desprezíveis derrotados. Existe a crença, quase geral, de que os que ocupam as melhores posições sociais o foram por pura justiça, fruto de muita luta e pelos próprios méritos, ao passo que os outros não conseguem chegar lá é porque nunca se esforçaram para isso. Assim também pensam os herdeiros de fortunas, os bem nascidos em geral, os que a vida abençoou com oportunidades únicas, os que trapacearam e lesaram o próximo, dentre outros. Poucos conhecem, realmente, o lado das adversidades, das situações que favorecem uns e desfavorecem outros, das implicações de meios sociais, nos quais inexistem quaisquer resquícios de oportunidades, ou mesmo das limitações físicas, mentais e de aptidões que, de um modo ou de outro, todos nós possuímos e que, exatamente por isso, ninguém deve ser tolhido do direito de viver dignamente. Assim, sem a menor consciência do erro, os homens se classificam pela estirpe: a "raça superior e aristocrática" do topo da pirâmide social e a "sub-raça de plebeus" das camadas inferiores.
Por isso que neste planeta, com população acima de 6 bilhões de habitantes, mais de 5 bilhões são pobres, sendo que destes, 3 bilhões vivem abaixo do nível de pobreza.
O livro, "A Terceira Era", apresenta os princípios da Engenharia Socioestrutural, que surge para eliminar a miséria e a pobreza da Terra, de forma cientificamente organizada. Não terá nada a ver com os mal sucedidos métodos socialistas ou comunistas, que colocaram um fim na iniciativa privada e nivelaram toda a população por baixo, massificando o consumo com produtos de qualidade inferior, freando o progresso tecnológico e a liberdade do povo, fora as conhecidas aberrações maoístas e os mais de cem milhões de cidadãos que foram mortos para a implantação deste sistema no mundo.
Para tanto, os métodos dessa nova engenharia derrubarão todos os conceitos de estruturas sociais experimentados ao longo dessa era de história, ou seja, todos os tipos de governos, de sistemas políticos, do poder econômico e de tudo que permita que o homem seja senhor de outro homem.
A Engenharia Socioestrutural não irá ferir os direitos adquiridos, no atual sistema, de nenhum ser humano, seja ele milionário ou miserável. Pelo contrário, ela virá para resgatar a dignidade humana de forma científica e sem a interferência de quaisquer interesses, contrários ao bem estar social de todos os habitantes desse planeta, indistintamente.
Para quem acha que tudo isso não passa de um devaneio ingênuo eu peço para observarem a atual crise mundial. Este é o colapso econômico que eu já aguardava desde 2004, quando escrevi este livro, porque além dos meus estudos, que utilizaram a mais pura lógica, ele também está citado no Apocalipse, que lhe determina precisamente a época destes acontecimentos. Enquanto os absurdos dos velhos sistemas atingiam apenas aos pobres e miseráveis, ninguém dava grande importância, no entanto, agora que eles saturaram e estão focados em derrubar as pessoas, organizações e nações mais poderosas do planeta, vocês podem ter a certeza de que a grande transformação virá bem depressa e antes que seja tarde demais.
Apesar de entrar em assuntos bíblicos e seus princípios possuírem grande afinidade como as propostas sociais de Jesus Cristo, esta obra é laica e estabelece o primeiro elo entre a ciência perfeita do Universo com a da Terra, desvendando, cientificamente e sem mistificações, os mistérios da escrituras, inclusive o das bestas do Apocalipse e do número 666. E isto só foi possível porque a minha teoria sobre os instintos humanos e a urgência em se mudar a estrutura social em todo o mundo, coincidiu com aquilo que já estava escrito há milênios nos livros sagrados.
Enquanto alguns cientistas buscam resolver o enigma da criação do universo e da existência de Deus através da complexa teoria do "big bang", este estudo apresenta, de modo extremamente simples, a primeira prova, cifrada, porém irrefutável, de que a humanidade é obra de uma Força Poderosíssima, a qual foi introduzida no Apocalipse de maneira surpreendente, há mais de dois mil anos. Ainda não é possível se afirmar cientificamente que o universo e a Terra tenham sido, ou não, obra da criação de alguma entidade divina. No entanto, este estudo da bíblia que considerou apenas parâmetros científicos e não religiosos ou místicos, demonstra nitidamente que esta Força Superior, ou Deus, criou sim o tronco principal e hegemônico da humanidade, do qual sempre manteve um controle onisciente e onipotente. Isto quer dizer que todos os acontecimentos registrados pela história já estavam calculadamente pré-determinados, fato que o Apocalipse mostra de forma absolutamente clara, principalmente, quando se consegue decifrar o mistério das bestas e entender o significado do número 666.


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